Moçambique quer que a proximidade histórica e cultural entre os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) seja transformada em oportunidades concretas de negócios, investimento, comércio e emprego.
A proposta foi apresentada pelo ministro da Economia, Basílio Muhate, durante a abertura do IV Diálogo dos Pequenos Negócios e Empreendedorismo da CPLP, realizado em Maputo.
CPLP deve criar novas oportunidades económicas
Segundo Basílio Muhate, os próximos anos devem representar uma nova fase para a CPLP, com maior foco na criação de oportunidades económicas para os cidadãos dos países membros.
O ministro defendeu que a língua portuguesa pode funcionar como uma verdadeira ponte económica entre diferentes continentes, facilitando a ligação entre empresas, conhecimento, capital e novos mercados.
Na sua perspectiva, um pequeno empreendedor moçambicano deve ter condições para procurar oportunidades em mercados como Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Timor-Leste, Brasil e Portugal.
A ideia é fazer com que a integração dentro da CPLP deixe de estar concentrada apenas nos laços históricos e culturais e passe também a gerar resultados económicos concretos.
Pequenas empresas são consideradas fundamentais
Durante o encontro, o ministro destacou a importância das micro, pequenas e médias empresas (MPME) para o desenvolvimento económico dos países da CPLP.
Para Muhate, apesar da dimensão reduzida de muitas dessas empresas, o impacto que produzem na economia é significativo, principalmente na criação de emprego, geração de rendimento, inovação e crescimento económico.
Em Moçambique, o Governo tem apostado no fortalecimento do quadro jurídico e institucional das MPME e do cooperativismo, além da simplificação e digitalização da relação entre o Estado e o sector privado.
Entre as iniciativas mencionadas estão o Fundo de Desenvolvimento Económico Local, Pro-Jovem, Pró-Mulher e o Fundo de Garantia Mutuária, programas destinados a apoiar empreendedores e transformar ideias em negócios.
Financiamento e acesso aos mercados continuam entre os desafios
Outra questão levantada durante o encontro foi a necessidade de garantir que a formalização das empresas seja acompanhada por medidas de inclusão económica.
De acordo com o ministro, pequenos empresários precisam de melhores condições de acesso a financiamento, tecnologia, mercados e protecção social.
A digitalização também foi apontada como uma das prioridades para aumentar a competitividade dos pequenos negócios. Entre as áreas consideradas importantes estão os pagamentos digitais, comércio electrónico, conectividade e desenvolvimento de novas competências.
CPLP não substitui a SADC
Basílio Muhate explicou ainda que o fortalecimento das relações económicas dentro da CPLP deve complementar a integração regional de Moçambique.
Nesse sentido, a CPLP não deve ser vista como alternativa à Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), mas como uma plataforma adicional para aproximar Moçambique de outros mercados internacionais.
Esta estratégia permitiria ao país aproveitar simultaneamente as oportunidades existentes na região da África Austral e os mercados ligados aos países de língua portuguesa.
Brasil defende maior cooperação com Moçambique
A proposta apresentada por Moçambique recebeu apoio de representantes do sector empresarial da CPLP.
Lage do Sebrae destacou a importância atribuída pelo Governo moçambicano aos pequenos negócios, ao empreendedorismo, aos jovens e às mulheres.
O representante brasileiro defendeu uma cooperação mais forte entre os países da CPLP, colocando a experiência de instituições como o Sebrae à disposição de Moçambique nas áreas de políticas públicas, programas e metodologias de apoio às pequenas empresas.
Segundo Lage, os países da CPLP, que juntos representam cerca de 300 milhões de habitantes, possuem um importante potencial económico, incluindo recursos minerais e energéticos.
Uma nova fase para a cooperação económica
O IV Diálogo dos Pequenos Negócios e Empreendedorismo da CPLP acontece no âmbito das celebrações dos 30 anos da organização e pretende contribuir para uma nova etapa de cooperação económica entre os Estados-membros.
O encontro reúne representantes governamentais, empresários, empreendedores e parceiros de desenvolvimento.
Para Moçambique, o desafio passa agora por transformar os laços culturais e linguísticos existentes entre os países da CPLP em parcerias comerciais, investimentos, criação de empregos e novas oportunidades para empreendedores.
Fonte
Fonte: Carta de Moçambique
Título original: “Moçambique desafia CPLP a converter proximidade cultural em oportunidades de negócios”
Publicado em: 4 de setembro de 2026
Link da fonte: https://cartamz.com/politica/53290/mocambique-desafia-cplp-a-converter-proximidade-cultural-em-oportunidades-de-negocios/




